HISTÓRICO

UNIDADE ESPECIAL ABRIGO JOÃO PAULO II

EX-COLÔNIA DE MARITUBA

1942-1998

 

 

Implantação da Colônia de Marituba

 

        A Colônia de Marituba começou a ser implantado no final da década de 30, e foi inaugurada oficialmente em 20 de janeiro de 1942, á margem direita da antiga estrada Belém-Bragança, hoje BR-316, distante 12 Km de Belém. O objetivo da Colônia era atender, em regime de isolamento compulsório, pessoas portadoras de hanseníase, evitando com isto o “ contagio da doença “.

        A lembrança mais marcante desta época é a rejeição, a discriminação. As pessoas eram isoladas e permaneciam por toda vida longe de seus familiares e do convívio social. Alguns chegaram crianças á Colônia, e com o tempo se acostumaram, constituíram família, porém os filhos eram criados dentro de um educandário, longe de suas mães. Hoje, a memória já lhes trás lembranças mais amenas de tanto sofrimento.

 

 

Estrutura da Colônia de Marituba

 

        A Colônia de Marituba tinha uma estrutura fechada, na qual os pacientes obedeciam a um regimento muito rigoroso,pois até mesmo o dinheiro  que circulava na Colônia era diferente, que os excluía completamente da sociedade, lhes causando um comportamento de revolta e indignação.

        Até o início da década de 80, a infra-estrutura da Colônia era formada por um prédio da administração, almoxarifado, padaria, teatro, biblioteca, cassino, prefeitura, cadeia e um cemitério, além de doze pavilhões, sendo dois infantis e dez separados em alas masculina e feminina. A base do sistema organizacional da Colônia era constituída por um  diretor, prefeito, delegado e enfermeiros.

 

 

A nova política de controle da hanseníase

Implantação da U E Abrigo João Paulo II

 

 

        Através da Portaria de Nº 165/BSB, de 14 de maio de 1976, do Ministério da Saúde, foi criada uma nova Política de Controle da Hanseníase, visando diminuir a morbidade, prevenir as incapacidades, preservar a unidade familiar e estimular a integração social do doente.

        A partir daí, a Colônia de Marituba começou um período de transformação. Passou a ter um regime aberto. E, em 1983, foi criado o Abrigo João Paulo II, nome em homenagem ao Sumo Pontífice da Igreja Católica, que visitou a Colônia  em 1980. O objetivo do Abrigo é reintegrar os pacientes recuperados á sociedade e dar assistência bio-psico-social áqueles que ainda necessitam de cuidados. Foi necessário reunir uma equipe multiprofissional para desenvolver estudos buscando viabilizar  abertura- uma antiga aspiração dos pacientes. Entretanto, alguns pacientes, por terem passado muitos anos internados, encontravam-se totalmente desvinculados da família, com deficiências físicas graves, que dificultavam a sua reinserção social e, sem opção, acabaram permanecendo no Abrigo, como um local onde podiam se sentir á vontade, sem receio de serem estigmatizados. Outros optaram em permanecer nas casas da Colônia, que somam um total de 80 casas, construídas pelo Governo Estadual da época para servir de moradia aos doentes que constituíssem família na Colônia.

 

 

Os primeiros efeitos da mudança

 

        A abertura da Colônia á sociedade permitiu mais liberdade aos pacientes, inclusive resgatando valores familiares e culturais. Porém, por outro lado, começaram a enfrentar situações difíceis, ás quais eles não estavam acostumados, como por exemplo as invasões de terra e falta de segurança. Os pacientes se sentiam indefesos e aflitos diante dessas situações, e passaram a reivindicar mais segurança e melhores condições de vida, pois os prédios estavam deteriorados, não lhes oferecendo o mínimo de conforto e dignidade. Esta reivindicação era reconhecida como justa pela direção do Abrigo, porém parecia inviável devido a dificuldade de recursos.

 

 

A busca de soluções através de parcerias

 

        Uma alternativa para melhorar essa situação seria estabelecer, através de um convênio, uma parceria entre a SESPA ( Secretaria Executiva de Saúde Pública ), responsável pelo Abrigo, e o IPSDP ( Instituto Pobres Servos da Divina Providência ), que atua em Marituba desde 1991. O IPSDP representa a Congregação Pobres Servos da Divina Providência, originada na Itália, que presta serviços aos mais pobres e marginalizados, nos campos da educação, saúde, social e pastoral, em vários países.                     Uma das fontes mantenedoras destes serviços é a Fundação Dr. Marcelo Cândia, com sede em Milão, na Itália, que repassa os recursos para o IPSDP, de acordo com os projetos apresentados.

 

 

a completamente da sociedade, lhes causando um comportamento de revolta e indignaçegimento muito rigoroso, que os exclui

O projeto para melhorar o Abrigo

        Em 1993, após várias reuniões e discussões entre a direção do Abrigo, servidores, pacientes, membros do IPSDP e entidades hensenianas de Marituba, foi apresentado um projeto pela direção do Abrigo ao IPSDP, visando uma reforma nas instalações físicas do Abrigo e a reorganização dos serviços oferecidos.

        Em 1994, foi assinado um convênio entre a SESPA e o IPSDP, onde a SESPA permanecia com suas obrigações de pagar o corpo de servidores do Abrigo, custear alimentação, medicamentos e material técnico aos pacientes,  e o IPSDP se comprometia em executar integralmente a reforma da estrutura física, com verba da Fundação Dr. Marcelo Cândia.

 

 

O atendimento ao residente

 

        Atualmente, o Abrigo atende a 148 residentes, dividido entre residentes internos e residentes externos ( que moram nas casas do Governo ) na faixa etária de 30 a 97 anos, sendo 90% idosos. Para isso, conta com 104 servidores, entre  nível superior, médio e elementar. Distribuídos dentro de uma estrutura física de 14 blocos onde subdivide-se em: bloco ambulatorial, bloco administrativo, bloco de nutrição/dietética, 06 blocos masculinos com 10 apartamento cada, 04 blocos femininos com 10 apartamentos, 01 bloco de múltiplas atividades e 01 capela. Atualmente, possuímos 66 pacientes que moram dentro do Abrigo, 07 em caráter provisório e 75 na área externa.

          Todos os nossos pacientes são sequelados da hanseníase, portadores de necessidades especiais e especialmente mutilados pela sociedade.

          Desenvolvemos trabalhos de atividades sócio-culturais com cronograma anual, projetos como a escolinha de alfabetização, oficina de artes e ginástica terapêutica.